quarta-feira, 10 de agosto de 2016

TERRA PAPAGALLI - A TERRA DOS PAPAGAIOS

Pesquisa SESI
Alunos: Raul Melo e Marcus Gomes

Sinopse : 

Cosme Fernandes, o Bacharel de Cananéia, tem muito o que contar sobre suas experiências em terras brasileiras. Um dos que aqui chegaram na terra de Santa Cruz,e logo aprendeu que não há quem não troque honradez por honraria. Os autores recontam episódios da nossa história, inventam outros tantos, construindo uma narrativa com bastante irreverância e crítica. 

Resenha : Terra Papagalli é uma história de ficção narrada em primeira pessoa por Cosme Fernandes, homem de origem portuguesa condenado a ser despachado no Brasil, para conhecer melhor essa nova terra e explorar sua cultura diferenciada. Cosme Fernandes é acusado de comer uma rosquinha em pequeno incidente na cozinha, mas, antes de descobrir o motivo da acusação, admite práticas realizadas com a moça, Lianor, que jurou seu amor eterno. Com isso, acaba indo para a prisão e condenado a ser despachado em novas terras. 

Ele, e mais outros condenados, passam a se tornar amigos, e acaba a maioria deixada no Brasil, por Pedro Álvares Cabral. Logo no desembarque, conhecem uma tribo de índios, e são acolhidos por eles. Passam a conviver com eles no dia-a-dia, e acabam se acostumando à sua cultura um pouco diferente. Alguns anos se passam, e Cosme Fernandes narra todos os acontecimentos vivenciados por eles, tanto os bons quanto os ruins.

Acostumado com a vida tranquila, com muitas mulheres para satisfazê-lo, comida de sobra, filhas adoráveis e um bom lar, o chamado Bacharel tem que sair do Paraíso para construir um novo lar, em outro lugar. Com a chegada Pero Capico, e um jovem soldado de nome Francisco Chaves, todos têm de mudar de seus respectivos lares, para novas terras. Feito assim, o Bacharel cria um novo povoado, que dá o nome de Cananeia. Logo em seguida, o que parecia ser um grande azar tornou-se uma grandíssima sorte. Cosme Fernandes passa a vender os escravos que conseguia nas batalhas, alimentos e animais para navegadores de outros países. 

Após conseguir muito dinheiro com as vendas, o Bacharel é roubado pelo seu ‘amigo’, Lopo de Pina, que foge em uma embarcação para Portugal. Nove meses se passaram desde a fuga de Lopo de Pina, e para sorte do Bacharel uma grande navegação desce em suas terras para comprar muitos dos seus produtos, e lhe entregar duas cartas, uma de sua filha e outra de seu genro. Na carta, Francisco de Chaves (seu genro) conta-lhe que Lopo de Pina passou a ser o conselheiro de Sua Majestade. Assim, convencer Sua Majestade de pôr ordem nos negócios do Brasil. O que foi feito. Uma poderosa armada foi mandada ao Brasil, junto a ela, Lopo de Pina. 

Quando essa armada chegou nessas terras, decidiu pôr ordem em tudo. Transformando povoados em vilas, organizando do seu jeito, mudando a vida dos tupiniquins. Após passar um ano, quando estavam prestes a transformar Cananeia em uma vila, com as outras, Cosme Fernandes resolve acabar logo com tudo. Reúne soldados e arma um plano. Convida os inimigos para uma festa, mata-os e marcham até São Vicente para próxima batalha. Chegando lá, começa a luta, e Cosme Fernandes vai atrás de Lopo de Pina. Encontra-o junto a Lianor, dentro de um baú. Poupa Lianor da morte, com a condição de ser mais uma de suas esposas. Quando a batalha acaba, e a tropa do Bacharel vence, e sem outra opção, tem que se mudar para novas terras. 

Assim, em uma viagem de navio, todos se mudam para uma nova terra, começam uma nova vida, e Lopo de Pina acaba morto e devorado pelos famintos. “Décimo mandamento para bem viver na terra dos papagaios: E o resumo de meu entendimento é que naquela terra de fomes tantas e lei tão pouca, quem não come é comido.” 


CURIOSIDADES:  

TERRA PAPAGALLI - Terra dos papagaios, nome dado ao Brasil em 1501

ROMANCE SATÍRICO 

HOUVE UMA AMPLA PESQUISA LINGUÍSTICA (VARIAÇÃO LINGUÍSTICA)

EXISTE UMA ARGUMENTAÇÃO HISTÓRICA 

PUBLICADO SUA PRIMEIRA EDIÇÃO EM 1997, PRÓXIMO AS COMEMORAÇÕES DOS 500 ANOS DE DESCOBRIMENTO DO BRASIL. RELAÇÃO COM A DATA COMEMORATIVA. 

SOBRE O TÍTULO: "NARRAÇÃO PARA PREGUIÇOSOS LEITORES DA LUXURIOSA, IRADA, SOBERBA, INVEJÁVEL, COBIÇADA E GULOSA HISTÓRIA DO PRIMEIRO REI DO BRASIL'. 

1. SENTIDO TEMÁTICO: A CRÍTICA 
2. RECRIAR OS MODELOS DE TÍTULOS EXTENSOS, TÍPICOS DA LITERATURA DE INFORMAÇÃO. 

ESTRUTURA/LINGUAGEM:  linguagem do século XVI, com tom jocoso.  cenas de humor “pastelão”, com fatos históricos.  formato de carta do Bacharel ao Conde de Ourique.  formatos de três "bestsellers" da época: diários de navegação, dicionários e bestiários, mesclando fatos reais (de pesquisas) e ficção, humor. 

PERSONAGENS PRINCIPAIS Tem-se uma lista bastante significativa de personagens na obra. Os sete principais, degredados, desterrados ou exilados no Brasil por haverem cometido “sete pecados” (uma das muitas e recorrentes intertextualidades do livro). 

 Cosme Fernandes: Mandado ao desterro por ter desvirtuado uma donzela – Lianor. 
 Jácome Ruiz: Produziu uma espécie de laxante que matou 40 pessoas. 
 Lopo de Pina: traiu seus amigos conforme seus interesses 
 COSME DE FERNANDES O BACHAREL DE CANANÉIA Personagem que fornece mais margem à ficção 
 poucos registros de sua vida no Brasil. 
 a constituição do personagem-narrador: voz não oficial; a intencionalidade narrativa. 
 o bacharel de Cananéia frente aos hábitos e costumes dos índios – a desconstrução da visão oficial, dos representantes de uma tradição social prestigiada pela História. 
 os estudos contemporâneos sobre identidade. “A graça não é explicar o passado, mas fazer com que através dele as pessoas possam entender o presente”. 

ANÁLISE DO LIVRO: Terra Papagalli O livro retrata o impacto entre as culturas portuguesa e indígena, onde conta a descoberta do Brasil do ponto de vista de um exilado, mal tratado pela tripulação e deixado na costa brasileira pela expedição de Pedro Álvares Cabral junto com outros colegas. 

PERSONAGENS : Podemos perceber as características de alguns personagens como; 

Diogo: (... adorava cavalgar, seus cabelos eram negros, seus olhos eram verdes, sua face era rosada e seus lábios vermelhos..) 

Lianor: (...seus olhos verdes, os seus cabelo negros, a sua pele branca, tudo eram só lembranças, o que vale dizer, dores e torturas..) 

Mulheres da ilha: eram bonitas, elegantes, sensuais, vaidosas e andavam sempre arrumadas, como se passa nesse trecho : (...) algumas mulheres , todas com cabelo muito pretos e compridos, pintadas com aquela tintura e nuas como Eva... Eram limpas e tinham suas partes altas e bem cerradinhas. 

Jacome Roiz: navegava com Cosme Fernandes, Natural de Torres Vedras, começou aos dezesseis anos empregar-se como ajudante de uma boticário. Dizia que sua medicina era feita de ricas ervas da índia, seus remédios fizeram sucesso no primeiro dia, mas no segundo um meirinho amanheceu morto. E acharam que o degredo era o melhor castigo. 

Antonio Rodrigues: era alto, tinha longos braços e grandes mãos. Seu cabelo era preto como a noite e a barba lhe cobria quase todo o ro inconstante e irado, mas era valente e jamais se cansava. Com muitas dividas, roubou o carregamento de pimentas, quando fugia o homem atirou no pé dele, a raiva dele foi tão grande que assassinou o o vendeiro, assim foi punido também.

Simão Caçapo: nasceu em Lisboa, na freguesia da santa Catarina, recebia muitas críticas do pai então foi trabalhar como carregador, desanimou com o trabalho, queria ganhar mais moeda, então furtou um mapa, foi descoberto e foi preso. 

Gil Fragoso: Cresceu numa aldeia que chamava Moncorvo, criado em infinitos trabalhos, achando sua vida indigna mudou-se para Lisboa, onde conheceu a miséria, assim esqueceu a religião e pensava apenas em sobreviver. Acusou padres e estes o mandaram prende-lo Lopo de Pina: Apenas um defeito, nunca conformava-se com seu estado. Queria ser rico. 

João Ramalho: natura de Barcelos, comarca de Viseu. Tinha cabelos castanhos lisos, tinha estatura média e falava pouco, nada o alegrava e quase nunca ria. 

Magister Videira: Educador do seminário Espaço: É possível notar que o espaço onde o personagem principal se encontra é um lugar pequeno, com falta de higiene, apenas com uma cama, e comida exótica com cheiro e odor desagradável, como se passa nesse trecho do livro (...) Fiquei ferrolhado, sem ver nem os raios do sol e nem a luz... Passava os dias numa sala miúda, cercado de malfeitores.... Era todo o meu comer uns pães duros, tripas cozidas e uma sopa muitosto. De todos o m rala. Também há uma descrição do local da missa, como no trecho: (...) presença do santo madeiro transfigurou-se a mata numa bela igreja naturas, ... luxuosos pilares, havia belos troncos de árvore, ... havia graciosos papagaios que nos observava piedosamente. 

Narração: Terra Papagalli é uma brincadeira ou como se lê no subtítulo "narração para preguiçosos leitores da luxuriosa, irada, soberba, invejável, cobiçada e gulosa história do primeiro rei do Brasil". Escrito com talento, em linguagem do século 16 com tom jocoso, em que se intercalam cenas de humor com fatos históricos, o livro se estrutura em formato de carta do Bacharel ao Conde de Ourique, repleto de realismo. 

Tempo: Assim o tempo que parece passado, permanece presente porque é o tempo da subjetividade do narrador-herói-personagem. Podemos dizer que o tempo existente se faz presente, na memória do narrador. Em nossa análise, verificamos que o sentido do passado é o tempo presente. A aventura de Cosme Fernandes e seus amigos degredados começa em Portugal, em seguida eles viajam pelo Novo Mundo (o Brasil) e o narrador termina seu relato em Buenos Aires. Em nenhum momento o narrador corta definitivamente o laço entre presente e passado. Daí o ponto que marca a separação entre ficção e história real. O romance Terra Papagalli é uma metaficção de onde podemos perceber três elementos conceituais: a paródia, a paráfrase e a carnavalizaçãoais 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS https://naosaoapenaslivros.wordpress.com/2014/07/22/resenha-terra-papagalli-jose-roberto-e-marcus-pimenta/ http://www.cursoacesso.com.br/wp-content/uploads/terrapapagallianalises1.pdf